
Meu ego é um morcego
Não nego meu nome
Uma górgona nunca corre
Remo na lama rumo ao graal
No encalço, logo eu o agarro
Carregarei-o em meu colo
Caço na arena oracular
O além em um ângulo raro
A lacuna anormal
Na carruagem, a moça glaucoma me cega
Carrega uma romã amarga em mármore oco
Um anel na mão, uma algema na canela
Eu, uma carga na manga
Uma úlcera como coroa
Em arame, armo a coluna e o muro
Congelo a cena em alegro
Engano-me ao agarrar o mar
Engulo o cloro na água
O córrego morre no lago
E reencarna na marra
A mácula mãe gerou a graça, um marco
Agora rogo:
Coragem carnal,
Lança a mágoa longe
Ancora-me na orla
Magma nuclear, calor ocre
Amolece a amálgama cruel
Cura meu coágulo
Coração arcano,
Anula o rancor e crê no amor
(Esse poema é parte da zine Anagramanátema.
Todas as palavras nele são anagramas das letras em seu título.)