
Dia ácido, clima de cádmio
Cedo demais, o asco e o desdém
Cadê a calda doce do sol?
O damasco e o limão duelam em meio a lama de mel
Do suor saem a comida e o suco
Os dois se secam e as coisas mudam
Ela, a dama de sal com seu diadema
Ele, o mais delicado doce, só usa seda
Cada lado é o mesmo em um século ou cem
Descascada, a maçã lume some do céu
O casulo se cala, sem asas
A cédula se descama e cai em desuso
Soa o melódico disco de sucesso: A lua
De caso com o mal, ela semeia o medo
Um caule seco em seus sulcos
Duas doses acalmam os loucos
Disse o médico
Mas o cálice é desleal
Lá está a lousa do liceu
Muda e ociosa
Lida só em sala de aula
A musa é só mais uma moça dócil
Domada com moedas
Dália em cima da cama
Com calos em seus dedos, a ama mede a cela
O molde do cadeado ideal
Um descuido do acaso
Essas são as leis do caos
De malas, sem laços, a saudade cessou
Em dias aos cacos, use o elmo
O dilema de Medusa,
Em si um escudo,
A maldade é o lema dos deuses
Mesmo assim, a cidade ecoa música
Uma demo da alma em coma
A escada é uma cauda de macaco
Cuidado com a descida
Adeus
(Esse poema é parte da zine Anagramanátema.
Todas as palavras nele são anagramas das letras em seu título.)