Larva

Venha me ver no cemitério
A ocasião, a seu critério
Sinta o cheiro que a carne exala

Te direi o sabor da bala:
Tem gosto de prata
Do tipo que mata

O lendário algoz se perde na teia da aranha
Se torna um souvenir de couro
Extirpado dessa espécie estranha
Debaixo da terra não há ouro

Arrancados os pelos, os indícios de selvagem
Retornei à forma humana antes da última viagem
Aconteceu à força, eu não tive a intenção
Preferia me manter imortal na involução

Venha ao meu descanso final
Pise sobre a terra sem resguardo
Mergulhe no limbo em que danço
O céu dirá que eu te aguardo

Saiba que será fatal

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