Antes de acordar, já estava pensando em tudo
Por isso, ao levantar, eu durmo
Organizo meus pensamentos no mudo
Discordo de mim no meio da frase
Preciso conversar comigo pra esclarecer o assunto
Minhas palavras vem ao contrário, se descomeçando
Se desfazem em outras, novas
Se cruzam e se interrompem
Brigam entre si pra ver quem fica na frente
No fim, deixo todas pra trás
Minhas palavras me ressentem pelo abandono
Quando volto, se recusam a cooperar
Elas não aceitam ordens
Não respeitam regras
Não querem se comportar
Minhas palavras me machucam por dentro
Me atormentam e zombam do meu medo
Brincam comigo
Às vezes até acho graça
As frequências estão vivas, são amigas
Parecem vozes conhecidas
O ruído me persegue em batalhas noturnas
Distorce tudo a favor do oponente
Os sentidos se antagonizam
As nuvens descem, mas os anjos não
O céu está escurecendo
Se chover, sou impermeável
Enquanto não troco de pele
Espero a hora certa para abrir o zíper de uma dimensão pra outra